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25 jun 2019

Compras via Redes Sociais: a maior “furada” que ninguém notou ainda

por Caique Araujo
Tendências 4 mins. de leitura

Nunca antes foi tão fácil fazer compras. A forma de comprar ou vender produtos mudou. E, não é de agora que as redes sociais incentivaram um aumento significativo nas vendas através de e-commerces. O último relatório do Webshoppers, realizado pelo instituto Nielsen, apresentou que 32% das transações digitais foram realizadas utilizando dispositivos móveis em 2018. O faturamento via mobile ampliou 30% na comparação entre os períodos, ou seja, de R$ 5,2 bilhões para R$ 6,7 bilhões. O que isso significa para o mercado?

Bem, de acordo com o Facebook, como anunciado por Mark Zuckerberg no F8, pouco tempo atrás, o futuro do e-commerce está nas redes sociais e serviços de mensagens da empresa. Nos próximos meses, por exemplo, será liberado no Whatsapp Business uma funcionalidade que permite aos usuários apresentar seus catálogos de produtos e serviços diretamente no aplicativo. É de se esperar que essa estratégia leve a uma nova reforma digital: as compras nativas dentro dos aplicativos.

Tanto o Whatsapp Business quanto o Instagram irão incorporar o Checkout Nativo até 2021, isto é, compras via os aplicativos. Isso permitirá, segundo Zuckerberg, melhorar a experiência do usuário que não precisará migrar de plataforma durante as compras aumentando, portanto, a taxa de conversão. Com esses anúncios – um tanto previsíveis – o mercado foi a loucura. “O dono da internet” está globalizando e democratizando o acesso fácil a informação.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

Checkout Nativo do Instagram

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O checkout nativo, do Facebook, é uma tentativa de fazer com que as pessoas permaneçam mais tempo nos apps e não precisem ir para as lojas virtuais tradicionais.

Então, qual o problema com as compras através das redes sociais?

Estamos no mundo da informação. Costumo dizer com frequência que “a informação vale ouro”. Claro, não é uma frase de minha propriedade, mas, com certeza, é uma filosofia na qual acredito. O Google, o Facebook, Twitter, Linkedin, etc, são empresas baseadas única e exclusivamente em coleta de dados. O modelo de negócios de cada um deles é estruturado para gerar receita através das informações coletadas dos usuários. E, você sabe, se as gigantes dão tanto valor a isso, por que você insiste em não dar?

O marketing digital é uma estratégia fantástica. Conhecer e ter a oportunidade de entender os seus consumidores para realizar uma entrega legítima é algo inestimável. Com tantas ferramentas a disposição, somos capazes de, em poucos passos, montar a nossa própria base de dados e começar a entender o comportamento de quem compra da gente. É maravilhoso como a informação pode ser esclarecedora. Por exemplo, você pode detectar qual produto tem melhor desempenho e o porquê seus consumidores o prefere.

Enfim, as aplicações são inúmeras. Então, será que as estratégias do Facebook Inc representam um interesse legítimo no usuário? Por um lado, quanto menor o “caminho” para uma compra ser finalizada, mais resultado haverá. Por outro, quanto mais barreiras, melhor será o filtro para compradores legítimos. O que a companhia quer, na verdade, está resumido em uma única palavra: informação. Aqui mora a “furada”.

Imagine uma empresa como o Facebook, gigante, cuja receita é advinda de anúncios publicitários e compras digitais. O que ela precisa para entregar cada vez mais anúncios e gerar mais receita? Conhecer e interpretar o comportamento dos usuários na plataforma. Ao incorporar o Checkout Nativo, você está, como um empreendimento, literalmente entregando para a plataforma o seu bem mais precioso: as informações comportamentais sobre os seus consumidores.

Na prática, os dados, as tendências, estatísticas comportamentais, etc, estão em posse de aplicativos como Instagram e Whatsapp. E, para você, empreendedor, serão repassados apenas algumas métricas “relevantes” como alcance, impressões, conversões, etc. A questão que fica em aberto é: você realmente está disposto a entregar de bandeja essas informações? E o dia que chegar o fim de alguns desses apps? Como fica o seu negócio? E essas informações que nunca foram suas?

Mas, e a solução?

Veja bem, não estou dizendo que essas plataformas não devam ser utilizadas. Tudo depende dos seus objetivos de marketing. Estou apenas apontando o fato de que informações valiosas sobre os seus consumidores, que poderiam ajudar você a melhorar a experiência deles, estão sendo entregues a troco de nada. Na verdade, para completar, você ainda terá de pagar uma taxa por venda realizada dentro dessas plataformas. O ideal mesmo é que você tenha o seu próprio espaço. Um lugarzinho só seu na internet. Seja uma plataforma de compras proprietária ou uma estratégia que não dependa, exclusivamente, dos aplicativos.

Construir a sua própria base de informações sobre os seus clientes é o futuro dos negócios. Algumas estratégias já caminham para essa realidade, como: a construção de leads, e-mail marketing, inbound sales, etc. Apostar o seu negócio nas plataformas sociais é aceitar o risco de que você não tem informações nenhuma sobre esses potenciais leads. Agora, encarar essa realidade e construir a sua própria plataforma, é acreditar na preciosidade dessas informações e no futuro rentável do seu comércio.

Okay, então, por que as gigantes já estão utilizando esses recursos?

É preciso lembrar que os grandes players do mercado sempre estarão presentes. Há momentos, nas etapas de uma empresa, que basta estar presente. Você já desenvolveu seu marketing e você já marcou a vida dos consumidores ao ponto de pertencer a rotina deles. Empresas como Nike, Prada ou Adidas, que já utilizam esses recursos do Facebook, possuem inúmeros setores de pesquisa que visam coletar dados e entender o comportamento dos consumidores. Além disso, eles ainda possuem suas próprias plataformas e recursos.

Resumindo, não importa o que seja lançado no mercado, eles vão sempre participar desse movimento. O valor da marca agregado que eles possuem é muito maior que o valor da informação cedida para as plataformas. E eles não são completamente dependentes. Caso o Facebook, Instagram ou Whatsapp deixe de existir do dia para noite, ainda será possível comprar, de diversas formas, os produtos que eles oferecem.

Conclusões

Você tem condições de dizer que o seu negócio é e continuará sendo sustentável sem as redes sociais? Se a resposta for NÃO, você está utilizando-as de forma equivocada. Elas são apenas uma ponte para entrar em seu mundo. Um universo onde você conhece cada passo dos seus consumidores. Se você ficou animado com a ideia do Checkout Nativo, repense quanto vale os seus consumidores.

A curto prazo, a ideia funciona. Você vai vender de forma facilitada para inúmeras pessoas, mas, a médio e longo prazo, você não terá nenhum controle sobre esses dados. Tornando cada vez mais dependente da plataforma e menos capaz de escalar seu negócio e transpor esses consumidores das redes sociais para as suas, futuras, plataformas. Fica aqui a reflexão!

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